sobre gatos e homens destroçados

Quando tudo aconteceu, não sabia bem do que se tratava. Mais uma tentativa de assalto, –algo cada vez mais banal na cidade do Rio de Janeiro, pensei comigo e segui caminhando pela Rua Santo Amaro, para a segunda aula de yoga que daria naquele dia. Havia despertado às cinco da manha, descido Santa Teresa com … Continue lendo sobre gatos e homens destroçados

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Toda reminiscencia é erótica

  “Uma sucessão de instante não faz o tempo; ela também o desfaz; nele ela marca somente o ponto de nascimento, sempre abortado". Deleuze, 2000, 142)   Nervosa caminhava de um lado a outro. Estancava. Enraivecia-se. Amedrontava-se. Roia as unhas e voltava a caminhar. Nervosa. De um lado a outro. Fazia cinquenta minutos, duas horas, … Continue lendo Toda reminiscencia é erótica

Na cama de outro – quarta parte

Vaguei pelo quintal num mês de separação. Quintal que guardava poeira, mato que crescia entre as pedras, subia pelas paredes. Quintal que sussurrava em ameaça: a vida reivindica seu espaço, não há como escapar! Uma teia de aranha cortava o teto da garagem. O perverso inseto negro estava lá, longas pernas desconfiadas. Negra e ágil. … Continue lendo Na cama de outro – quarta parte

Na cama de outro – terceira parte

Mais uma vez a porta bateu, encerrando-me agora num sepulcro cheio de sombras. A pena era aplicada: a insuportável vida latejava. Um passo fazia a carne vibrar em toneladas de energia, olhar pedia uma força que a consciência não liberava. Agora, sim, a culpa. Redimi-me ouvindo o que tinha para ser dito em ligações que … Continue lendo Na cama de outro – terceira parte