quem somos nos ou sobre as aranhas, Penélope e a espera.

Sindia bugiarda estuda nu artístico, – especificamente a coautoria fotógrafo-modelo como ampliação das possibilidades estéticas na construção da imagem – e é facilitadora de práticas de yoga (reeducação postural através de asanas, métodos Iyengar, Hatha e Ashtanga Begginners). Suas pesquisas a mantém em praticas constantes de dança clássica, yoga, movimento autentico com Soraya Jorge e Guto Macedo e teatro junto ao Instituto do Ator com Celina Sodré (Grotowski).

É formada em comunicação com especialização em processos narrativos (jornalismo literário), mestre em literatura, cultura e contemporaneidade pela Puc-Rio, formada em fotografia pela escola Focus-SP. Atua há 09 anos como modelo de nu e desde 2014 desenvolve cursos práticos sobre construção de imagem no nu.

Maiores informações visitar o site https://fiandeira.wordpress.com/portfolio/curso-de-nu/

Facilita praticas de yoga toda segunda, quarta e sexta, das 7h as 8h e das 8h as 9h no Palco 42 (rua santo amaro, 42) e em Copacabana terças e quintas das 7h as 8h (rua princesa Isabel, Espaço Florescer).

A partir de setembro oferecera workshops mensais de nu, com duração de quatro horas na Escola de Fotografia Abaf.

Adendos

Todo processo criativo tem um tanto de aranha. Ou de Penélope.

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Aracne era uma tecelã que recusou o destino e a identidade de mortal. Resolveu lutar desafiando Atenas, a deusa da sabedoria e das artes manuais. Atenas, arrogante como quase todo deus, vestiu-se de anciã e foi lhe aconselhar a humildade. Contudo, diante de Aracne não pode sustentar a própria arrogância e sentindo a necessidade de provar sua superioridade, aceitou o desafio.
Atena teceu desenhou quatro cenas mostrando o que havia acontecido aos mortais que desafiaram os deuses, e acabaram transformados em animais. Aracne teceu passagens da história de Zeus cuja paixão constante pelos mortais, o fazia assumir a forma de animais.
Atena ofendida, mas impedida de contestar os argumentos de Aracne, rasgou a tecelagem em pedaços. Aracne ao perceber que a deusa, seguia tentando condenar os mortais a um destino inegociável, resolve se enforcar, e mais uma vez afirmar que o destino dos mortais estão nas mãos dos próprios mortais. Atena ao perceber que mais uma vez perderia o jogo, transforma a corda com que Aracne se enforcara e recorre a magia de Hecate, para lhe trazer a vida novamente, mas agora na forma de uma aranha. Aracne então, cumpre seu destino sem deixar de desafiar os deuses: condenada a tecer a vida, pendurada na própria teia.

 

Penélope

Ela sabe esperar. Aprende todos os dias. 20 anos. 10 para ir e 10 para voltar. Ela aguardava não se sabe o que. Talvez Ulisses. Talvez, como Lispector sugere no livro dos prazeres ou uma aprendizagem, Penélope aprenda a amar ao tecer e destecer a espera. Talvez tecer a espera seja tecer o que é amar.

Não se trata mais de Ulisses. Se trata de perder a couraça para que algo se inaugure. Ela sabe que quando algo se inaugura somos tomados pela sensação nada-pode-acontecer-tudo-pode-acontecer. Experimentamos o absoluto. Algo se irrompe. Caminha entre mundos. Não se curva a perecidade justo por ser perecível. É quando olhamos para o abismo e ele retorna esse olhar. E nos pergunta, mas e depois do apodrecer das carnes, depois da morte, depois da falência dos planetas, depois que um buraco negro sugar tudo o que existe… o que há depois disso tudo?

Penélope suspeita que mesmo quando tudo acaba, se esvai em si mesmo, quando não existe mais nada, nem seios, bundas, pernas, não existe mais corpo, ou planetas, quando isso acontecer e só sobrar o som da existência, ohm… quando só restar esse som de imensidão, bem, ela suspeita que esse som de imensidão traz latente em si o amor.

 

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