Seja herói, não seja marginal. Ou Let’s play that!


Ninguém quer ser feio, esse certamente é um dos motivos para se recusarem a votar nela. Ela tem o melhor plano, ela tem o melhor vice, ela escreveu a sua história com a mesma tinta de esforço que nós escrevemos e ela nao quer esconder isso. Ela está comprometida com essas existências mínimas, as existencia que insistem em nos mostras, não deram certo, embora produzam revoluções diárias que ninguém quer ver. Todos os candidatos viram os rosto para essas histórias e só recorrem a elas nesse período.

Muitos eleitores também o tem feito. Justo porque essa história é preta, e ninguém quer ser preto, ela é pobre e ninguém quer ser pobre, ela tem cabelo “ruim” e ninguém quer ter cabelo “ruim”. Todos esses signos legitimam nossa história, nossa força, dão conta da nossa própria existência, nos dizem da nossa força, das nossas lutas. Contudo, é inegável, nós todos o experimentamos como algo feio, violento: corpos negros e pobres assassinados nas favelas, sendo explorados nos asfalto, perseguidos nos supermercados, penando nos ônibus lotados, impedidos de ir e vir. Experimentamos esses signos como feios. E por isso ninguém quer a experiência do que é ser preto, pobre, de quem vive à margem. Porque a carne mais barata do mercado é a carne negra e pobre. O cabelo pixaim lindo, deslumbrante da Marielle, a torna alvo, e a covardia com a entocairam, eh covarde e é feia. Quem não tiver ódio diante da cena de uma mulher sendo covardemente assassinada, quem não tiver grito contido no peito que atire a primeira pedra. Preto, pobre, marginal. Ninguém quer ser marginal. Ninguém aguenta a barra de ser marginal no brasil.

Então, todo mundo quer ser herói. Queremos salvar a Marielle, mas ela não está presa na ditadura de 64, e de nada adianta jogá-la nos braço de funcionamentos totalitários tais como ciro-hadad. Olhamos para trás feito Orfeu, para mais de 50 anos atrás e ainda carregamos o peso dos mortos, dos que lutaram, e precisamos largar o peso, precisamos fazer a nossa luta. O que oprime a ponto de cegar não é mais a ditadura. Não podemos deixar que nos obriguem a aceitar o tempo passado como uma grande borracha a apagar o tempo presente, como um grande trauma que não nos deixa ver. Não precisamos funcionar presos numa caixinha de música que não para de tocar “apesar de você” do Chico Buarque. Isso é alimentar o conservadorismo, produzir manutenção de um estado. Seja marginal, viva a margem, transgrida os valores conservadores. Seja marginal, seja herói. Aceite o convite desse anjo torto, muito louco, que com um sorriso entre os dentes te diz: vai bicho, desafinar o coro dos contentes. Nosso tempo chegou. Let´s play that!

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