Pesadelos

Parece q a crise financeira tem uma relação direta com crises amorosas. Fui acordada no meio da madrugada ontem com o barulho da mensagem de uma amiga no Cel. Essa amiga de pouco mais de 40, casada há 15 com um cara de quase cinquenta, me envia a seguinte mensagem: _ Ele finalmente me disse que tá saindo com a secretária ou parceira de trabalho, Sindia, 20 e poucos anos a menina tem. Quase não acredito. Estamos em crise há um tempo, mas q relação longa não passa por crises, agora resolver assim?! Me sinto tão envergonhada, tão humilhada.
E realmente algo curioso que esse agenciamento homem escolha, quase numa unanimidade saídas tão clichês p as relações, vaidade, crise da meia idade, eh tão comum que já tem nome como uma espécie de doença. E eh igualmente incrível que esse personagem mulher escolha viver isso com vergonha, escondido, e sempre culpando o cara, assumindo p si a identidade de feia, gorda, ou magra, enfim, menor. Parece uma balança desajustada buscando um equilíbrio que nunca vai acontecer. Sim, eh verdade, qdo alguém nos trai, o que dói não eh o fato de fulano ter dormido com sicrano, o que dói eh o gesto de virar as costas, de no desespero p sair de uma relação que suponho considerava insuportável reproduzir um sistema fechado que impede o parceiro de atuar, produzir intervenção, o sentenciando a impotência, uma espécie de exílio. E isso eh sempre repentino, por mais q se converse, por mais q a relação seja boa, confiável. Eh algo tão hediondo quanto estar no campo de batalha com um parceiro, um de costas pro outro, se defendendo da crise financeira, dos problemas no trabalho, tentando abrir espaço p conseguir alguma produção, tentando buscar um sentido p sair da linha de frente dos ataques e de repente, teu parceiro se vira por suas costas e te atinge em cheio, de um modo q só ele poderia fazer. Eh mortal. E não dá p atravessar isso sozinho. Eh como Pentesileia, rainha Amazonas e Aquiles. Li meses atrás essa versão. Eles são adversários na guerra, e se buscam nos campos, e no meio do campo se descobrem apaixonados. E ambos abaixam a guarda. Ela o vence na batalha e ao invés de lhe tirar a vida, o recebe com doçura e com doçura percebe q eh correspondida. Mas Aquiles a trai, quer levá-la p seu reino, seu mundo, p viver sob suas regras. E isso a choca. Sendo cativa dele, percebe que confiou demais, se entregou demais, afinal, há um código de conduta das guerreiras que ela infringe. Ela entao o desafia p mais um duelo no qual Aquiles eh destrocado. Mas não eh o sujeito homem q precisa ser destrocado. Junto com Aquiles, morre tb Pentesileia, condenada a loucura de não acreditar ter cometido tão bárbaro crime com as próprias mãos. Eh esse tipo de relação q precisa morrer. Esse tipo q nos faz assumir padrões q não são nossos. E q ao término nos faz retornar a eles, como um modus operandi de um assassino que esta sempre a espreita p queaquele q ama nunca possa se fortalecer. Desejei abraçar demais a amiga ontem. Porque sei exatamente o que eh isso. Ao invés de ligar, de conversar, geleia, perdi o sono e me senti estatística. Como podemos viver coisas tão incríveis e no final das contas isso virar caso corriqueiro, padrão comum? Ou melhor, como podemos evitar isso, sabotar isso? Como podemos dar um passo adiante, permitindo que o amor saia dos tempos da infantilizacao extrema e possa caminhar com toda a liberdade, alimento que mais lhe nutre, que mais o faz ganhar corpo, e mundo?
Qdo as crises financeiras se Instauram, parece que acentuam as crises amorosas, basta dar um Google, crise financeira, crise amorosa, aparece inúmeros textos. E acho q não eh a toda. Ainda mais se pensarmos diante de um cenários de extrema infantilizacao política, que nos coloca como alternativa única polarizar-se ou ser banido.

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