Sobre como viver a dois

Sobre como viver a dois
Por alguma razão ela se sentia plena. Como quem, por alguns instantes, finda o dia, tirando os sapatos e algumas máscaras. Ela entendeu o que a deixava muda. Num gesto ela havia compreendido. A moça tirou a calça e a beijou. Não houve pânico, não houve medo, não houve sexo, mas houve sexo. Só sua pele fininha em contato com outra pele que se esparramava pela cama desconhecida.
Cama desconhecida. O que pode ser melhor do que uma cama desconhecida? Ela se mirava no espelho e perguntava ao gênio.
O velho de cabelos brancos levantou da cama, respiração difícil, e com certa inabilidade colocou as calças. Sentada na poltrona plástica, com as pernas em cima da cama, ela o olhava com carinho. Um sentimento muito tênue, membrana fina e seca. E ela conseguia sustenta-lo, sem esvanecer-se nele.
A moça voltou a beija-la e a imagem enfraqueceu e voltou, oras rápido, oras misturada a outras imagens que ela nem sabia de onde vinham. Ela retribui as carícias, e bêbada mergulha no sono. Sente às costas a membrana fina e seca do velho de cabelos brancos e tateia com os lábios a pele fininha do ombro da moça que a beijara. Os cheiros desapareceram paulatinamente e notas por notas tudo mergulhava no quarto escuro, e se desfazia. Dela restava um fio de sangue, a carne desgrudou dos ossos e os líquidos escorreram por suas pernas que também se desfaziam. O velho as suas costas se fez menino e lhe sorria, a moça era ela também não era. Desfeita, mais uma vez ela se viu na cama desconhecida. Ela ouvia o som da mão afetuosa da criança deslizar sua cintura para alcançar a pele da barriga da moça a sua frente. Um galo cantou ao longe e ela teve medo de abrir os olhos. Restaria dela só sangue. E ainda com os olhos fechados ela topou com o desejo de ter dois maridos e várias mulheres para dividir a noite, a casa, toda a vida, um segundo.
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